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Falsos anúncios do Desenrola Brasil enganam usuários nas redes, aponta estudo

31/07/2026

Falsos anúncios do Desenrola Brasil enganam usuários nas redes, aponta estudo




Em apenas dois meses e meio, 544 anúncios falsos sobre o programa Desenrola Brasil, do governo federal, circularam em redes sociais para aplicar golpes contra os usuários. A constatação é de um levantamento do Laboratório de Estudos de Internet e Redes Sociais (Netlab), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

O estudo analisou as redes mantidas pela empresa Meta (Instagram, Facebook, WhatsApp, Threads e Messenger), além da Audience Network, pela qual, segundo os pesquisadores, a companhia veicula anúncios em aplicativos de terceiros. O período examinado foi de 1º de abril a 14 de junho deste ano.

As fraudes partiram de 48 páginas diferentes. A maioria (34) usou o nome oficial do programa, Desenrola Brasil, para publicar 278 anúncios; outras 15 recorreram a um programa governamental inexistente, batizado de Libera Brasil, com 264 anúncios; e uma página misturava os dois nomes.

Criado em 2023 para facilitar a renegociação de dívidas, o Desenrola Brasil ganhou uma segunda versão em maio deste ano. Segundo o Netlab, os golpes surgiram já no lançamento da primeira versão: em julho de 2023, o Ministério da Justiça determinou a retirada dos anúncios e uma medida cautelar resultou em multa de R$ 9,3 milhões contra a Meta. Com a nova versão, em maio, os anúncios fraudulentos voltaram a ganhar força.

Uso indevido de nome do governo e conteúdo com IA

Os pesquisadores constataram que 72% dos anúncios fazem uso indevido do nome e da imagem do governo e/ou de marcas privadas, como sites de notícias e bancos. Além disso, 19,1% promovem links que se passam por canais oficiais e 38,1% apresentam conteúdo gerado por inteligência artificial.

“As pessoas não sabem que tantos anúncios fraudulentos estão circulando nas redes sociais sem nenhum tipo de fiscalização, de filtro ou de sistema de segurança. Isso torna cada vez mais perigoso, porque as pessoas veem anúncios legítimos e ilegítimos numa mesma plataforma, misturados. Para o usuário, é muito difícil diferenciar”, explica a diretora do Netlab, Marie Santini.

Ao atrair as vítimas para sites fraudulentos, os golpistas coletam dados sigilosos e pessoais e direcionam o usuário para conversas de WhatsApp, onde outras etapas do golpe são conduzidas. O estudo aponta que os criminosos usam estratégias como promessas de soluções financeiras irreais e falsa urgência para induzir cliques. Para Santini, as plataformas deveriam ter sistemas que verificassem a legitimidade dos anunciantes e dos conteúdos, e as autoridades deveriam punir as plataformas.

Resposta da Meta

Por meio de nota, a Meta afirmou que o combate a fraudes e golpes online é uma prioridade e que vem intensificando esforços com uso de inteligência artificial, modelos de linguagem de grande escala (LLMs) e reconhecimento facial para detecção e remoção de conteúdos.

Segundo a empresa, as denúncias de usuários sobre anúncios de golpes caíram mais de 50% entre meados de 2024 e o fim de 2025. A companhia informou ainda que, em 2025, removeu mais de 159 milhões de anúncios fraudulentos — 92% deles antes de qualquer denúncia — e desativou 10,9 milhões de contas no Facebook e no Instagram associadas a centros de golpes. A Meta afirmou que não permite atividades fraudulentas e que coopera com as autoridades brasileiras.

Fonte: Com informações de Agência Brasil

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